terça-feira, 3 de março de 2009

Somos todos iguais?

Segundo a Wikipedia ,Inclusão " é uma ação que combate a exclusão social, geralmente ligada a pessoas de classe social, nível educacional, portadoras de deficiência física, idosas ou minorias raciais entre outras que não têm acesso a várias oportunidades".
Tenho sido tomada por uma rede de interrogações, quando o assunto é a inclusão!
Muitos dirão que é bobagem, que trabalhar com uma criança especial é a mesma coisa do que se trabalhar com as crianças tidas como "normais".
Sempre estive atenta a qualquer tipo de discriminação: abomino racismo, preconceito quanto ao gênero, e tantos outros que assolam as nossas escolas, desde a mais tenra idade das crianças.
Mas neste ano me vi diante de uma situação inusitada!
Recebi, no corpo de uma menina-mulher de 16 anos, uma criança que costuma agir e reagir como se tivesse apenas 5 anos de idade.

A princípio julguei "normal". A tão prometida inclusão, apregoada por diversos governos ( quer seja municipal, estadual ou federal) se concretizava, ali, bem diante dos meus olhos. E o pior, estava sendo rejeitada pelo grupo de colegas, que deveria se fazer seu par.
Confesso que ainda ando meio atordoada, perdida e não vendo perspectivas de ajudá-la de alguma forma. De fazer com que a experiência de "Chiquinha" (como doravante a nomearei) seja no mínimo socializadora.
Como se não bastasse a rejeição dos colegas, ela ainda tem como sua adversária, a minha falta de capacitação para trabalhar com tal ser humano. Não que me falte boa vontade, mas por uma limitação de formação mesmo.
Vocês devem estar se perguntando "onde essa maluca quer chegar com esse papo todo? ", sinceramente eu nem sequer imagino.

Acredito muito na troca, mesmo que em ambiente virtual, todos podemos ser úteis de alguma forma, a alguém. O que sinto realmente que estou fazendo aqui, é gritando "SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDE!"
A escola, na pessoa das dirigentes, ou gestoras como gostam de ser chamadas, ou nomeadas, sequer tomou conhecimento da magnitude do "dilema" que tem assolado meus dias, quando entro na sala de aula e vejo, aquela pessoinha, sorrindo pra mim como se estivesse me pedindo, "por favor, faça algo por mim, que não seja apenas ficar sensibilizada com as minhas necessidades".
Me capacitar agora, seria muito demorado pela urgência que o fato pede por providência.
Assim sendo, quero deixar aqui um apelo: Devo continuar tratando Chiquinha como "especial", me curvando diante da rejeição, esbravejando para que não o façam e que me ajudem a fazer algo por ela?

Não acredito que incluir é simplesmente colocar para dentro, quem está fora. É preciso ir além de tolerar, respeitar ou entender a deficiência, mas sim a legitimá-la. Entendo que preciso encontrar meios para que ela, mesmo assim comprometida, exerça o direito de contribuir,com seu melhor talento, para o bem comum.
Como fazê-lo?
Alguém pode me ajudar, por favor?!






2 comentários:

Prô Regina Valiente disse...

Olá companheira, quando lí seu depoimento por um momento pensei que fosse eu quem tivesse escrito tal a similaridade de minha situação com a sua.
Não sei se de alguma forma posso contribuir com você, mas quero te dizer, mesmo que ninguém se importe com a sua situação ou com esta aluna, importe-se você e faça a diferença.
Tenho uma criança DM moderada em minha sala, ninguém da área de apoio da a mínima, nem mesmo a técnica que atua na sala multi-funcional e algumas colegas mais "experientes" que eu, quando me veem desesperada dizem: - Pense nos outros alunos que vc tem e deixe essa, não se sacrifique por algo que você não vai mudar.
Quer saber? Não desisto não!!
Estou cursando especialização em Educação Especial e em breve devo postar alguns textos bastante interessantes.
No mais, acredite em você e persista. Fique com DEUS.

Simone disse...

Oi! A realidade de nossas escolas é esta mesma, os alunos chamados especiais estão chegando, mas os professores e a escola não estão preparados para recebê-los. Na minha concepção deveríamos ser capacitados antes e depois os alunos chegarem, mas como você já está sentindo na pele, isso não vai acontecer. A verdade é que nunca estaremos preparados, pois cada um é único, cada um tem a sua própria particularidade (mesmo dentro da mesma deficiência), isso sem contar que todos nós somos deficientes em alguma coisa.
Minha querida, eu atuo com Informática Educativa na minha escola e vi o sufoco de algumas professoras que chegam a ter 5 DM nas suas salas. Foi pensando em como ajudá-las e em como ajudar na inclusão destes alunos, que criei um projeto juntamente com a sala de recursos da escola para atendê-los. Visite meu blog e saiba mais, talvez ele te ajude de alguma forma. O blog é:http://www.amarparaincluir.blogspot.com/
Quanto ao tratamento que você deve dar a esta aluna é o mesmo com relação aos outros alunos, seja firme (com amor), dê limites, pois ela também precisa aprender a obedecer regras, principalmente as de convivência. Ame-a por que ela precisa muito de pessoas que a olhe com este olhar que você demonstrou ter: o de incluir.